Arquivo diário: 9 outubro 2008

O que é, o que é que não é de comer mas abre o seu apetite… sexual?

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Três mocinhas elegantes deitam-se de bruços sobre cangas coloridas na areia da praia. O assunto é: afrodisíaco.

– Amendoim – diz C.

– Ovo de codorna! Ostra! – emenda J.

– Só clichê, hein? – reclama E.

Silêncio.

– Inteligência é afrodisíaco.

– Admiração…

– Um metro e oitenta!

E começam a falar ao mesmo tempo, as três mocinhas elegantes, num agudo de dar inveja a qualquer soprano.

– O proibido.

– Adoro!

– O medo de alguém entrar no quarto…

– A possibilidade de alguém estar olhando.

– Comprar uma calcinha nova.

– Sair sem calcinha.

– Depilação cavada.

– Verão!

– Inverno…

Primavera e outono não são citados.

– Sexta-feira.

– Meia-noite.

– Rodrigo Santoro.

– Fábio Assunção.

– Leonardo!

– Que Leonardo?

– Do Leandro e Leonardo.

– Jura?

E chamam outros nomes nacionais e internacionais, masculinos e femininos como Madonna, Scarlett Johansson e Woody Allen.

– Sotaque!

– Barba mal feita..

– Costas largas.

– Nariz grande.

– Tatuagem que entra por dentro da roupa.

– Melanina.

É quando começa uma animada discussão em que uma amiga elege, como melhor afrodisíaco do planeta, cheiro de sabonete – também conhecido como “Acabou-de-sair-do-banho”. Inconformada, outra defende que bom mesmo é cheiro de corpo – também conhecido como “Cecê” – e diz que isso, sim, minha nega, dá o maior tesão.

– Uma taça de vinho.

– Três…

– Cerveja gelada.

– Cachaça.

– Champanhe com morango.

– Chantilly.

– Brigadeiro na colher.

– Emagrecer.

E riem, e viram-se nas cangas em dominó, encolhem as barrigas e trocam elogios, sem acreditar no que dizem – só no que ouvem.

– Sexo!

– Concordo: quanto mais se faz, mais se quer fazer.

– Falar sobre sexo!

– Falando nisso… – diz J.

– Vamos embora? – propõe E.

– Eu te amo! – declara C.

Jacaré e Elefante calam-se e voltam-se para Cobra:

– A gente também te ama – dizem em uníssono.

– Não é isso! “Eu te amo”, falar “Eu te amo” me excita. Ouvir, mais ainda.

É quando resmungamos nossa má sorte e levantamos para um mergulho na água gelada do mar da primavera.

O medo de um amor incerto

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Se existem verdades absolutas neste mundo, uma delas é que todos nós temos medo de sofrer. Assim, ingenuamente tentamos controlar as situações ao nosso redor, como se isso fosse possível…

Obcecados por esse desejo de nos proteger, gastamos nossa energia e nosso tempo tentando controlar os pensamentos, as atitudes e até os sentimentos das pessoas que amamos e que, sobretudo, desejamos que nos amem.

No entanto, não nos damos conta de que a vida se baseia no imprevisível, no incontrolável, no surpreendente! Nenhum sentimento é garantido, nenhuma conseqüência é revelada antecipadamente. O futuro é totalmente incerto. E apesar de tamanha imprevisibilidade, temos em nosso coração toda a possibilidade de conquistarmos o que e quem amamos, o que é muito diferente de controlar, prever ou obter garantias!

Muitas pessoas não conseguem encontrar um amor, não se entregam a uma relação profunda e verdadeira simplesmente porque estão, todo tempo, tentando obter certezas. As perguntas não param de gritar, as dúvidas não têm fim e o medo de se deparar com a dor parece assombrar milhares de corações, impedindo-os de enxergar uma outra possibilidade, tão plausível quanto a de sofrer.

Será que ele me ama? Será que vale a pena perdoar e tentar de novo? Será que ele não vai me trair? Será que não estou sendo idiota? Será que não vou sofrer mais do que se ficar sozinho? Será? Será?…

O que será, eu responderia com muita tranqüilidade, não importa agora! Na verdade, nunca importará! A pergunta correta é: “Eu quero?” Quando aprendermos a responder, com respeito e responsabilidade, essa simples perguntinha, teremos previsto qualquer possibilidade.

Sim, porque o amor é uma chance, uma oportunidade; não uma garantia; nunca uma certeza! Podemos vivê-lo conforme nossa vontade, de acordo com nosso coração ou… passaremos a vida inteira tentando controlar o incontrolável, garantir o incerto!

Jamais teremos como saber se o outro está sendo fiel, se o amor que sentimos é correspondido na mesma medida, se vamos sofrer ou seremos felizes. Jamais saberemos do amanhã ou do outro.

Então, que usemos nossa inteligência, a despeito de todo o medo que isso possa nos fazer sentir. Ou seja, que possamos, de uma vez por todas, abrir mão dessa tentativa inútil de controlar o amor, a vida e o outro e nos concentremos em nós, em nosso coração e em nossos reais objetivos!

Descobriremos que nos ocupar com nossos próprios sentimentos já é trabalho para vida inteira. Descobriremos que agir conforme nossa vontade é o bastante para que nos sintamos preenchidos, embora possamos mesmo vir a sofrer… simplesmente porque o sofrimento é uma possibilidade tão possível quanto a felicidade!

E digo mais: só conseguiremos entrar de fato no coração de alguém, mesmo sem termos certeza disso, quando tivermos a audácia e a coragem de nos entregar ao imprevisível; quando conseguirmos compreender que a segurança é mérito pessoal, interno, sentimento que não se pode ter em relação a ninguém além de nós mesmos.

Portanto, para todas as pessoas que têm me perguntado sobre qual é o “segredo” para viver o amor sem sentir tanta insegurança, tanto ciúme e tanto medo de sofrer, aproveito este momento para responder: o segredo está em saber se você quer, se você realmente quer! Porque se você quiser e fizer por merecer, agindo você com sinceridade, qualquer possibilidade de dor e sofrimento valerá a pena. Porque quando a gente quer de verdade, com o coração, a magia do amor nos faz entender que sofrer faz parte do caminho e, no final das contas, é tudo crescimento, aprendizagem, evolução e, por fim, a tão desejada felicidade.

E não que ela esteja no final do caminho ou no final da vida, simplesmente porque ser feliz é isso: entregar-se ao imprevisível e aceitar a dor e a alegria como partes do amor! E quando penso que essa entrega é realmente difícil, me lembro de uma frase que gosto muito:
“Se o seu problema tem solução, relaxe… ele tem solução.
E se o seu problema não tem solução, relaxe… ele não tem solução!”
É uma frase engraçada, mas muitíssimo sábia. Portanto, quando estiver doendo muito, não resista! Simplesmente relaxe e aceite, pois a resposta virá!

Renata R. Dos Santos.