Arquivo diário: 24 outubro 2008

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

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Sabia que “viver não dói…. O que dói é a vida que não se vive”.

Definitivo, como tudo o que é simples nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável….um tempo feliz. Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos…. Por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e Não compartilhamos…. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade Interrompida….

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar… Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais.

Renata R. Dos Santos

Cobrança Sexual

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Às vezes, o sexo deixa de ser fonte de prazer e vira uma obrigação.

Sexo é bom e todo mundo gosta. Ou melhor: quase todo mundo. Ainda que proporcione prazer, estímulo, intimidade, vínculo afetivo, relaxamento e bem-estar, tem muita gente que não consegue sentir nenhum desses benefícios no ato sexual – mas o faz, por diversos motivos alheios a sua vontade, sem desejo algum. E praticá-lo por obrigação inevitavelmente leva à frustração. “Não gosto de sexo. Faço porque meu marido me procura. É claro que gostaria de reverter essa situação. Entendo que ter desejo é algo normal, mas não sei como mudar isso”, confessa Elisa*, de 37 anos. Como ela, existem várias outras que pensam e sofrem o mesmo.

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Foram inúmeras as conquistas femininas nas últimas décadas e, entre elas, há as sexuais. Antes do movimento de liberação sexual do século passado, as mulheres, com exceção das prostitutas, eram vistas quase como “seres assexuados”, que só deveriam fazer sexo para procriarem. O prazer era restrito aos homens. Herdeiras das gerações anteriores, hoje ainda há muitas que mantêm as idéias de que sexo é algo sujo, que masturbação é pecado, que somente o homem deve alcançar o prazer, que o marido tem o direito de transar com a mulher toda vez que sentir vontade, independentemente do fato de ela estar a fim etc. Este é um dos motivos que fazem o sexo ser encarado como uma obrigação, e não como uma relação física em que duas pessoas buscam o prazer.

Estudiosos dizem que o excesso de convivência mata a química do amor-paixão-tesão. A total rotina e a previsibilidade um do outro, assim como a falta de criatividade no erotismo, que deixa o sexo ‘mecânico’, interferem na libido

Segundo a terapeuta sexual e de casais Ana Maria Zampieri, há muitas razões, principalmente culturais, pelas quais isso acontece. “Uma delas é a construção sócio-histórica de fundo religioso que diz que temos obrigação de satisfazer sexualmente os nossos cônjuges mesmo quando não há desejo sexual”, menciona. O ginecologista Eliano Pellini também acredita que, apesar de terem conquistado autonomia financeira, as mulheres, muitas vezes ainda se submetem aos parceiros, fornecendo sexo em troca de companhia. “Elas fingem gostar de sexo para garantirem carinho e proteção do homem, além de um status exigido pela sociedade. Muitas que reclamam de falta de desejo na verdade só querem ter uma melhor vida sexual para servirem ao parceiro”, afirma Eliano, membro da Comissão Científica de Sexualidade da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e chefe do setor de Sexualidade Humana de Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC.

Outro fator que contribui para a perda da libido e do prazer, que transforma o sexo em uma obrigação de casal, é a convivência. “Estudiosos dizem que o excesso de convivência mata a química do amor-paixão-tesão. A total rotina e a previsibilidade um do outro, assim como a falta de criatividade no erotismo, que deixa o sexo ‘mecânico’, interferem na libido. A perda de interesse em surpreender a outra pessoa faz com que ela deixe de se sentir especial”, explica a psicóloga Ana Maria Zampieri. Mas, se as pessoas se casam justamente para viverem juntas, como isso pode prejudicar a relação sexual? Para Eliano Pellini, os casais não estão preparados para a rotina e acabam se desencantando no casamento quando ela chega. “As mulheres carecem mais de estímulos do que propriamente da libido. Quando escolhem parceiros que se preocupam com elas e não apenas as usam como receptoras da carga negativa que eles acumulam durante o trabalho (que são expelidas, por exemplo, na ejaculação), as mulheres naturalmente redescobrem o desejo sexual”.

Fonte:bolsademulher