Cobrança sexual: Outras causas

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O sexólogo Celso Marzano, diretor do Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade (CEDES) e do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática (ISEXP-SP), cita, além da rotina no relacionamento, os problemas cotidianos como inimigos do prazer. “O dia-a-dia conspira contra o sexo, pois conciliar a família, os amigos, o trabalho e os nossos interesses pessoais é muito difícil. Adicionamos ainda a todo esse estresse a situação financeira instável, outras questões que afetam nosso controle emocional e o envelhecimento inevitável do nosso corpo. Por tudo isso, em algum momento acabamos apresentando algum tipo de disfunção sexual, de maior ou menor grau”, define.

Algumas pessoas vêem a vontade de fazer sexo diminuída por motivos que afetam o interesse físico no parceiro, o equilíbrio psicológico ou doenças que as debilitam. A falta de higiene pessoal, a obesidade, o alcoolismo, a estafa física, a depressão, a baixa auto-estima, possíveis incômodos e o uso de medicamentos, como alguns calmantes, antidepressivos e anti-hipertensivos, podem prejudicar a libido. As próprias alterações hormonais, principalmente aquelas ocorridas na menopausa, ou mesmo na tensão pré-menstrual, às vezes dificultam a resposta sexual. “Também há pessoas que são condicionadas a só se sentirem atraídas por corpos jovens e perdem o interesse quando o cônjuge envelhece, da mesma forma que alguns homens deixam de sentir desejo por mulheres que se tornaram mães de seus filhos”, comenta Ana Maria Zampieri, que acrescenta que os cuidados com o corpo, sem exageros, e a auto-estima são fundamentais para resgatar o prazer no sexo.

Elas hoje querem parceiros mais receptivos, que não utilizem seu poder para fazê-las submissas, e reclamam que o homem brasileiro ainda é muito ‘machão’. Mas elas próprias, ao serem mães, favorecem a formação de homens machistas

A falta de orgasmo durante a relação sexual e, também, a obsessão em atingi-lo são outros fatores que desestimulam as mulheres. Segundo o ginecologista Eliano Pellini, isso pode causar mal-estar e dores na região pélvica. “A congestão de sangue nos órgãos sexuais femininos fica retida quando a mulher passa muito tempo sem alcançar o orgasmo, o que geralmente leva ao que chamamos de dor pélvica crônica”, esclarece o médico. Outro problema surge quando a mulher não é estimulada corretamente e não se excita a ponto de ficar lubrificada. Sem esta preparação preliminar, que deve ser provocada pelo homem, o ato sexual torna-se doloroso e pode causar vaginismo (contração muscular involuntária que impede a penetração), fissuras, infecções e corrimentos que somente irão piorar e prolongar o desconforto nas próximas relações – um ciclo que elimina o prazer sexual. É bom lembrar que quantidade não traduz qualidade.

A “obrigação sexual” é ainda mais intensa quando o parceiro que exige sexo mesmo que o cônjuge não esteja com vontade. “Para resolver este impasse, o primeiro passo é o diálogo, pois esta postura exigente só leva a maiores desgastes e afastamentos”, alerta o sexólogo Celso Marzano. Eliano Pellini e Ana Maria Zampieri afirmam que muitas mulheres não têm prazer porque seus maridos e elas mesmas não receberam educação para o prazer. “Deve-se saber dizer não quando não se quer, e, claro, explicar o porquê. Não faz sentido se submeter a verdadeiros estupros na cama conjugal. Isso é violência legitimada pela cultura machista”, adverte a psicóloga. Para o ginecologista, muitas disfunções sexuais como esta seriam sanadas se houvesse uma reforma global na educação das crianças, por exemplo. “Elas hoje querem parceiros mais receptivos, que não utilizem seu poder para fazê-las submissas, e reclamam que o homem brasileiro ainda é muito ‘machão’. Mas elas próprias, ao serem mães, favorecem a formação de homens machistas e meninas que crescem achando que devem servi-los”, atesta Eliano Pellini.

Fonte:bolsademulher

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