3 Maiores redes de Supermercados do País boicotam carne ilegal

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Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart. As três principais redes varejistas de supermercado do Brasil assinaram na semana passada, junto à Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), um termo de compromisso no qual vetam completamente a compra de carne bovina proveniente de todos os 11 frigoríficos do estado do Pará denunciados em “lista suja” pelo Greenpeace, no início do mês, acusados de criar gado para corte em áreas ilegais.

A medida foi tomada em consonância à recomendação do Ministério Público Federal do Pará, que aconselhou as três redes varejistas, bem como outras 72 empresas que revendem derivados do boi provindos do estado, a boicotarem os frigoríficos listados pelo Greenpeace no relatório “A Farra do Boi na Amazônia” (disponível para download em pdf). O relatório também fez revelações no mínimo preocupantes para o contribuinte: segundo o documento, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) fez concessões de créditos a frigoríficos paraenses que podem chegar a R$ 10 bilhões. Ele aponta, também, que o banco é acionista dos quatro maiores frigoríficos do País, dentre eles o Bertin, um dos mais apontados em situações irregulares pelos ambientalistas.

Em comentário para a Rádio CBN sobre o pacto firmado pelas redes de supermercado, o jornalista André Trigueiro disse que a importância da medida vai muito além do boicote, pois é uma sinalização para uma mudança de paradigmas para o próprio mercado, mostrando a força dos consumidores. Para ele, quem sai ganhando é o pecuarista que “atua à luz da lei; que não explora mão-de-obra escrava, que não desmata ilegalmente a Amazônia e que paga os seus impostos”.

Trigueiro também fez um comentário sobre a reação no mínimo desmedida da CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária) que, além de estar processando o Greenpeace, está “denunciando” que a ação do MPF do Pará “deverá determinar uma inviabilização de toda a cadeia de pecuária de carne do Pará, que responde por 35% da produção de carne do País”, citou o jornalista. Para ele, a posição da CNA seria análoga à posição adotada pelos escravagistas quando à época da abolição do regime escravista, que apregoavam que, “se abolir a escravatura, a economia do Brasil quebra”, complementou. “Ou seja, será que em nome da mão-de-obra escrava, do avanço do desmatamento de forma clandestina, da irregularidade, a gente vai viabilizar negócios escusos dizendo que a partir do Pará fornecesse 35% da carne bovina do Brasil. É uma carne indigesta, hein?”.

 

 Fonte: http://sustentanet.com.br/

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