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Record rebate acusações feitas pela Rede Globo

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A Rede Record é vítima, outra vez, de acusações da TV Globo. Nesta semana, a emissora da família Marinho noticiou uma suposta investigação nos Estados Unidos contra Edir Macedo, dono da TV Record. As acusações são antigas, muitas até já foram esclarecidas e arquivadas pela Justiça. Mas o que a Globo pretende com mais um ataque à Record?

A reportagem da última quinta-feira na Globo foi o mais recente capítulo na série de ataques contra a Rede Record. Mais uma vez, Edir Macedo foi tratado como o líder de uma quadrilha, e como sempre, a TV Globo manipulou e deturpou as informações.

A investigação não é uma novidade. O promotor americano Adam Kaufmann, de Nova York, apenas acatou um pedido do Ministério Público de São Paulo, procedimento comum nessa esfera de investigação.

As acusações já foram rebatidas e esclarecidas há vários anos. A defesa de Edir Macedo sempre foi clara: as mesmas denúncias foram apuradas e arquivadas pelo Supremo Tribunal Federal. Na época, até a Interpol ajudou nas investigações que terminaram sem nenhuma prova.

Mesmo assim, os promotores paulistas decidiram reabrir velhas acusações contando sempre com ampla cobertura da Globo. O que a emissora não disse é que Roberto Porto, principal promotor a assinar as denúncias, já foi punido por favorecer a Globo, medida publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Ele repassou à emissora imagens de uso interno do Ministério Público depois de interrogar o traficante Fernandinho Beira-Mar na prisão.

Agora a Globo manipula a notícia de quinta-feira ao encaixar na reportagem uma entrevista gravada há mais de um mês. Pior ainda: ela induz o telespectador a acreditar que o promotor comentou a investigação contra Edir Macedo, o que na verdade ele não fez. Uma aula sobre como não fazer jornalismo.

A entrevista foi gravada no Brasil durante uma visita de Kaufmann, e exibida na época praticamente na íntegra na tevê a cabo. A comparação entre a versão que foi ao ar na TV a cabo e a exibida essa semana deixa evidente a manipulação da TV Globo.

Quando a entrevista foi gravada, o Ministério Público americano ainda não tinha entrado no caso. Mesmo assim, o repórter da Globo insiste em discutir acusações envolvendo a Igreja Universal. Parece uma encomenda, uma clara recomendação da direção da Globo. No vídeo, o promotor se sente desconfortável diante da pergunta e tenta se manter imparcial.

Pergunta o repórter:

– O senhor já ouviu falar nessa igreja? Há suspeita de que milhões de dólares tenham sido remetidos ilegalmente pra fora do Brasil, especialmente para os Estados Unidos. O quê que o senhor sabe desse caso?

Responde o promotor:

– Parece… Parece grave. Não sei se seria adequado que eu comentasse uma investigação brasileira em andamento. É claro que a conduta que você descreveu parece ruim, mas é tudo o que posso dizer, pois, como você disse, é uma investigação em andamento.

O repórter pressiona, e faz uma pergunta carregada de segundas intenções:

– O senhor acredita que crimes, fraudes, cometidos por líderes de uma igreja são mais graves do que fraudes e crimes cometidos por um político, por um administrador público?

– Não sei se é pior. Se você fosse vítima de uma fraude e perdesse todas as suas economias, Não ia se importar se perdeu para uma igreja, um político.

O repórter pressiona mais uma vez:

– O senhor alguma vez já teve que investigar uma igreja por lavagem de dinheiro?

– Estou tentando lembrar se já houve casos com igrejas. Não consigo pensar em nenhum agora, mas já vi obras de caridade. Entidades criadas para receber doações, cujo dinheiro acabou sendo usado para uma TV de tela grande, um carro, para manter o estilo de vida de alguém, sem qualquer relação com a caridade. É um tipo de fraude muito conhecido e documentado nos Estados Unidos. Sem dúvida, na Promotoria de Manhattan, já lidamos com inúmeros casos desse tipo.

Agora veja como a Globo altera o que o promotor disse. O promotor acabou de dizer que não se lembra de investigar qualquer igreja e sim instituições de caridade. Na versão desta semana, a tradução foi bem diferente.

Nas palavras do repórter da Globo:

– O promotor americano também já apurou crimes envolvendo igrejas. Como contou em entrevista no mês passado quando esteve no Brasil: ‘Há casos de igrejas que arrecadam doações de fiéis e depois usam esse dinheiro para financiar TVs, carros, um estilo de vida pessoal que nada tem a ver com a caridade. Esse tipo de fraude bem conhecida é bem documentada nos Estados Unidos’, diz ele.

Afinal, como confiar numa informação da TV Globo?

A pressão da Globo parece ter surtido efeito. Nesta semana, o promotor Adam Kaufmann aceitou o pedido de cooperação encaminhado pelo Ministério Público de São Paulo.

A Globo grita ao acusar a Record, mas se cala quando é alvo de acusações graves. Em dezembro de 2006, a então governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, afirmou que a Globo mantém um esquema de envio ilegal de dinheiro para o exterior. A TV Globo é propriedade dos herdeiros Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho.

Observe o que a então governadora disse no plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro:

– A TV Globo ainda mantém um paraíso fiscal em Bahamas. A conta número 91493 no Banco Credité Suisse com mais de US$ 100 milhões. Isso é uma imoralidade.

A denúncia foi formalizada pela maior autoridade do Rio de Janeiro na época, mas nunca foi apurada. O Domingo Espetacular entrou em contato com o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro. O assessor de imprensa respondeu que “nem tudo que os políticos denunciam acaba sendo apurado”.

O nome do banco, número da conta, valor da transação. Por que o Ministério Público não usou o acordo de cooperação internacional para investigar a Globo e os irmãos Marinho?

Agora veja a incoerência: Em São Paulo, o Ministério Público baseia suas acusações em depoimentos de ex-integrantes e ex-pastores da Igreja Universal, pessoas afastadas por ferirem a conduta moral exigida pela entidade religiosa.

Um desses ex-pastores é Gustavo Alves da Rocha, personagem de uma reportagem publicada na revista semanal das organizações Globo, há dois meses. O ex-pastor foi desmentido pela própria ex-mulher, Jacira e pela ex-sogra, Cirila Moura da Silva. E mais: as duas acusaram a Globo de tentar pagar por entrevistas contra a Record.

Afirmou Jacira:

– Ele chegou a ligar pra minha mãe para dizer que ele está ganhando dinheiro para fazer isso, que era pra eu também procurar a revista Época e outras mais. Então é porque ele está sendo comprado. Ele está fazendo isso por dinheiro.

A mãe, uma senhora de 66 anos, confirma a versão da filha:

– Aí ele falou assim: ‘ah… é que a Globo me procurou e eles pagam um bom dinheiro para gente dar uma entrevista sobre a Igreja né, e eu queria saber também se a Jacira queria ganhar um dinheiro’. Ai eu perguntei assim: ‘ô Gustavo quer dizer que a Globo está comprando as pessoas pra falar mal da Igreja?’ Aí ele falou: ‘é mais ou menos’.

A ex-mulher conta que retornou a ligação para Gustavo Alves da Rocha. Por precaução, ela gravou a conversa:
Jacira:

– Eles vão me pagar pra isso?

Gustavo:

– Não. Aí, no caso, você teria que conversar com a pessoa que te ligou, entendeu? A única coisa que eu fiz, no máximo, era passar o número do teu telefone. Então você teria que conversar com essa pessoa. para que essa pessoa… entendeu? Pessoalmente, nada por telefone.

Jacira:

– Tá. Mas você recebeu alguma coisa?

Gustavo:

– Eu não vou falar sobre isso por telefone porque esse meu telefone aqui já foi grampeado, entendeu?

Atacar, ofender e ridicularizar parece ser a intenção da TV Globo sempre que trata dos evangélicos. Isso não e novidade. Em muitas novelas e minisséries, eles são alvo de preconceito e desrespeito.

Mas na ultima sexta-feira, a discriminação ficou escancarada na minissérie “Ó Pai, Ó”. O personagem “Queixão”, um golpista, se transforma em pastor, e só pensa em dinheiro.

– Irmã, você não quer que eu leve o dinheiro do dízimo até a Igreja no lugar da senhora, não?

Ela responde:

– sim. Mas depois…

E ele:

– Primeiro, Jesus.

As igrejas aparecem como se fossem organizações criminosas, e, assim como na disputa por território entre os traficantes, Queixão toma o templo de outro pastor de arma na mão. Ele ameaça matar o outro pastor e manda ele fechar a igreja e se mudar de cidade.

Deboches ofensivos para uma parcela de brasileiros que ocupam cada vez mais espaço na sociedade.

A minisserie “decadência” também tinha um pastor que só agia em função de sexo e dinheiro. Em uma cena, ele joga uma peça íntima sobre a Bíblia, uma ofensa ao livro sagrado de todos os cristãos, incluindo os católicos.

Na novela “Duas Caras”, a personagem evangélica era fanática e desequilibrada.

Afinal, qual a credibilidade das investigações contra Edir Macedo e a Rede Record?

O que preocupa tanto os herdeiros Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho?

Será mera coincidência o novo ataque da Globo acontecer dias depois da inauguração dos novos estúdios do RecNov com a presença do presidente Lula e das principais autoridades do país?

Será coincidência um novo ataque às vésperas do lançamento da segunda temporada do sucesso “A Fazenda”? Ou semanas depois da chegada do R7, que com apenas um mês de vida, já disputa a liderança na audiência dos portais de noticia do Brasil?

Será que tudo isso tem a ver com a transmissão exclusiva pela Record dos jogos Pan-Americanos de 2011 e 2015 e da Olimpíada de 2012?

Será que o crescimento da Record não é o verdadeiro motivo para tantos ataques?

 

Fonte: http://folhavitoria.com.br

Plantas de Poder

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“Conheço e vejo a Deus: um imenso relógio que palpita, esferas que giram dentro e fora das estrelas, a Terra, o universo inteiro, o dia e a noite, o choro e o riso, a felicidade e a dor”, Maria Abina, xamã mazateca.

“Era como se eu fosse uma consciência que tudo atravessa (…). Reconhecia que os seres vistos com os olhos fechados eram indubitavelmente mais reais do que meus amigos presentes no quarto. (…) Eu entrara em contato com um nível de realidade mais funda e mais intensa. (…) Eu sabia de mim, dos meus e do mundo – e minha capacidade de amor por tudo isso estava muito aumentada. (…) Algo de essencial mudou em mim a partir daquela noite.” Caetano Veloso, no livro Vereda Tropical. Do peiote mexicano utilizado pela xamã à Ayahuasca experimentada por Caetano e mais diversas de plantas alucinógenas espalhadas pelo mundo pode-se encontrar diversos relatos tentando descrever a experiência da ingestão, palavras como: expansão da consciência, contato com uma realidade sagrada não material, mirações de espíritos, autoconhecimento com sensações de êxtase e sofrimento, fazem parte da rotina de cerca de 11 mil pessoas que usam frequentemente plantas do poder em rituais de novas religiões brasileiras, como o Santo Daime, a União do Vegetal e a Barquinha.

O uso de plantas em rituais são milenares, achados arqueológicos levaram o homem a comprovar que há quase 4800 anos a humanidade conhece as propriedades desses vegetais. Segundo a antropóloga Bia Labate “o uso dessas plantas está ligado à origem das religiões” em seu livro O uso Ritual das Plantas de Poder. Além da Ayahuasca (combinação do cipó mariri e das folhas de chacrona nativos da floresta amazônica), fazem parte desse grupo alguns tipos de cogumelos, os cactos peiote e São Pedro, a iboga africana, a jurema, o paricá e até o tabaco e a maconha, que não propiciam as mesmas experiências das primeiras.

A mescalina, separada do cacto peiote em 1897, foi inspiração para Jean-Paul Sartre escrever A Náusea na década de 1930. Foi quando artistas e poetas beats como Allen Ginsberg e William Bourroughs começaram a inspirar com a criatividade e a sensibilidades aguçados por essas substâncias. As plantas que apresentam componentes psicoativos foram denominadas drogas por conter substâncias que alteram o estado psíquico de quem as usa. São considerados psicoativos a cocaína, originada a partir da folha de coca – e que foi popularizada por Sigmund Freud como tratamento contra a dependência de ópio -, e até o álcool, extraído da cana-de-açúcar (mas cujo efeito entorpecente já tinha sido descoberto muito antes do século 19). Os psicoativos que permitem a experiência de visões foram descritos como alucinógenos.

Até hoje, porém, os estudiosos discutem o termo. “As vivências propiciadas pelas plantas alucinógenas não fazem a pessoa sair da realidade, como a palavra sugere. A consciência permanece alerta”, alega a antropóloga Sandra Goulart. As plantas alucinógenas não têm os componentes químicos tóxicos de estimulantes como a cocaína e o ecstasy ou de depressores como a heroína e o álcool, que podem causar dependência. São drogas da selva metabolizadas naturalmente pelo organismo, que até hoje não tiveram efeitos maléficos comprovados.

As 100 principais espécies de plantas alucinógenas foram listadas no livro Plantas dos Deuses, espécie de bíblia do assunto que inclui peculiaridades brasileiras, como a jurema. Trata-se de uma planta comum na caatinga nordestina que tem sido usada nos rituais de mesmo nome, nas sessões de catimbó e nos candomblés de caboclo. Os alucinógenos naturais brasileiros fazem parte do grupo de apenas 1% de plantas medicinais da nossa flora. O compêndio dos alucinógenos foi escrito na década de 70 pelo botânico Richard Schultes e pelo médico suíço Albert Hofmann, descobridor do LSD, o ácido lisérgico, versão sintética do princípio ativo presente em alguns cogumelos. O invento de Hofmann foi o primeiro alucinógeno químico, surgido em 1943. Entre os anos 50 e 60, virou objeto de estudo do funcionamento da mente: mais de mil trabalhos foram publicados relatando pesquisas feitas como psicodélicos em 40 mil pessoas com problemas de alcoolismo e outras desordens. Mas a perigosa indução a bad trips em vários trabalhos e o uso indiscriminado do LSD pela geração flower power, de Janis Joplin e Jimi Hendrix, cortaram pela raiz os estudos científicos em 1966. Isso acabou jogando na obscuridade as pesquisas com LSD. Como se fossem as árvores do fruto proibido da Bíblia, as plantas alucinógenas foram incluídas no rol de drogas proibidas mundialmente.

A alternativa encontrada pelas comunidades tradicionais para usar as plantas diante do proibicionismo é uma brecha na lei para utilização com fins religiosos. O Santo Daime, a União do Vegetal e a Barquinha, as seitas surgidas no Brasil no século 20, tocam seus cultos tendo como figura central o chá ayahuasca por meio de uma liberação do Conselho Federal de Entorpecentes (Confen). A mesma licença foi dada na Holanda e na Espanha. Na América do norte, já havia sido criado um grupo espiritual para legalizar as experiências com o consumo de peiote entre os índios, a Igreja Nativa americana. Homem branco, portanto, não toma peiote nos EUA. A tradição do uso do cacto foi influência das tribos mexicanas. Todo mês de setembro, grande parte dos 50 mil índios huicholes peregrinam até sua montanha sagrada em Real Catorce, na Sierra Madre Occidental, para entrar em contato com Deus sob o efeito do mesmo cacto sagrado que popularizou o antropólogo Carlos Castañeda nos anos 60. Seu livro mais famoso, A Erva do Diabo, foi inspiração de “viagens astrais” com esta e outras plantas, como a datura, da mesma família da flor de lírio – único dos nossos alucinógenos de efeito reconhecidamente “delirante”.

No Gabão, nação da África Central, a seita Buiti, que consome o iboga quase virou a religião oficial do país desde a década de 30, com mais de 1 milhão de usuários da planta. Também a maconha, de poder alucinógeno discutível, tem seu uso ritualizado pelo movimento religioso rastafári na Jamaica desde o século passado e por grupos religiosos da Índia há milênios. Vêm dos hindus, por sinal, alguns dos registros mais antigos de uso ritual de cogumelos. Acredita-se que a espécie Amanita muscaria, original da Sibéria, seja o misterioso soma, droga divina da Índia antiga de 3.500 anos atrás. O cogumelo consumido ritualmente pelos astecas também era a planta mais temida pelos espanhóis que colonizaram o México. Identificada pela ciência apenas em 1851, a ayahuasca da Amazônia pode ter sido usada pelos incas da cidade sagrada de Machu Picchu desde o século 16. E o tabaco é quase uma unanimidade nos contextos espirituais dos índios do continente americano e nos cerimoniais afro-brasileiros – umbanda e o candomblé.

O efeito dos alucinógenos varia. “A intensidade da experiência depende do estado físico e psicológico de quem ingere, da quantidade e da circunstância”, diz o geriatra Otávio Castello, do Departamento Médico-Científico da União do vegetal, cuja tese de mestrado avalia o efeito da ayahuasca na saúde mental dos usuários. Estudo semelhante foi feito por outro médico, o psiquiatra Eliseu Labigalini Jr., que trabalha no Programa de Orientação e Assistência ao Dependente (Proad) da Unifesp. Dr. Labigalini entrevistou ex-dependentes químicos que se livraram do vício depois de tomar ayahuasca. “Minha conclusão é de que há um benefício de estruturação pessoal”. Mas um alcoólatra que larga a bebida para tomar um alucinógeno não estaria substituindo uma substância por outra? Segundo o Dr. Labigalini, a resposta é negativa. “As pessoas não se viciam com a ayahuasca. Há muitas que nem continuam freqüentando as sessões”, conta. A razão mais provável para o fim da dependência, segundo Labigalini, é o processo de transformação psicológica pelo qual passa a pessoa que usou um alucinógeno. “Há relatos até de drogados que se viram mortos durante o transe. É como se eles precisassem passar pelo sentimento de ir ao fundo do poço para que pudessem se recuperar”, continua. Contudo, “a ayahuasca não é para qualquer um”, concorda o “ayahuasqueiro” Victor Nieto, curandeiro peruano que já experimentou mais de 20 vegetais em 12 anos de trabalho com plantas de poder. “A pessoa tem que estar em busca de autoconhecimento e se dispor a confrontar o seu lado sombrio”, explica Victor, um ex-executivo que se curou de uma depressão ao tomar contato com as plantas.

Os estados alterados de consciência, como se percebe, levam a pessoa a um contexto de difícil compreensão, entre o mental, o espiritual e o emocional. Um estudo cognitivo-psicológico feito pela psicóloga israelense Benny Shanon tentou identificar as visões mais comuns de 18 bebedores de ayahuasca durante o transe. Imagens da morte, de pássaros, de répteis e de seres divinos foram citadas em 80% dos casos. Para descobrir o que se passa na cabeça durante a alteração de consciência — ou ampliação, como preferem os usuários das plantas —, várias pesquisas têm sido feitas. Uma das explicações diz respeito à serotonina, substância que o cérebro produz e que está presente nos princípios ativos de algumas plantas, como o alcalóide dimetiltriptamina (DMT) da ayahuasca, da jurema e do paricá. A mesma serotonina que participa do controle de sensações como o prazer e a fome está envolvida no mecanismo de ação de remédios antidepressivos. O aumento da quantidade de serotonina no cérebro poderia explicar o fato de algumas depressões serem “curadas”.

O antropólogo suíço Jeremy Narby levantou uma hipótese polêmica, ele supôs que haveria informação verdadeira na esfera alucinatória. Em sua pesquisa, ele viu semelhança entre as visões de serpentes de luz, que ocorrem em vários usuários durante o efeito da ayahuasca, coma estrutura e as propriedades físico-químicas do DNA — a molécula que guarda nosso código genético é reconhecida por emitir pequenas partículas de luz. Nessa hipótese, durante seus estados alterados, “a consciência seria, metaforicamente, reduzida a um estado molecular onde se enxergaria o DNA”. Isso explicaria, entre outras coisas, as visões de luz e a sensação de compreensão da origem do universo, comum em relatos de alteração de consciência. A teoria de Narby tem a ver também com o fato de o PCR, técnica revolucionária de multiplicação de pequenas quantidades de DNA para uso em pesquisas genéticas, ter sido descoberto por Kary Mullis durante uma assumida experiência com LSD.

Enquanto os poucos estudos acontecem, a procura pelas plantas dos deuses têm crescido de forma discreta, muito em função da moda da “nova era”. Tanto que a utilização rotineira delas criou o risco de extinção. O peiote mexicano, por exemplo, só nasce na região do deserto e pode ter seu crescimento interrompido quando colhido de forma errada. O turismo esotérico para a região de Real de Catorce já preocupa os huicholes, que têm no uso do cacto um dos traços mais marcantes de sua cultura. No Brasil, a retirada do cipó mariri passou a ser controlada pelo Ibama em 1999, e os grupos religiosos do Santo Daime e da UDV já cultivam suas próprias plantas. No Céu de Mapiá, uma comunidade de 600 pessoas no Acre instalada há 20 anos e que virou o comando central do Santo Daime, um terreno de 250 mil hectares é usado para o plantio sustentável. E ninguém precisa ingerir as milenares plantas de poder, como fizeram Caetano Veloso, Carlos Castañeda e tantos outros, para adquirir outra consciência ampla, a ecológica: trata-se de uma questão tão fundamental para a sobrevivência dessas espécies quanto é a permissão legal para as pesquisas científicas e para seu uso ritual.

O uso de ervas que agem sobre o sistema nervoso central, provocando variadas distorções da realidade, é datado de milênios por inúmeras civilizações, o uso de plantas alucinógenas é visto como uma aproximação religiosa — ou, no mínimo, mística — do ser humano com seu criador. A nova onda de experimentação dessas substâncias acontece num momento em que, mais uma vez, o materialismo excessivo leva pessoas a buscas espirituais, ainda que por meio da misteriosa influência das chamadas plantas do poder. Mas é bem provável que todas as soluções para os problemas humanos se escondam nas plantas. Ano após ano, cientistas encontram, na natureza, substâncias que amenizam dores, curam doenças, alongam a vida e, muitas vezes, matam impiedosamente. 

 fonte: revista terra de Junho/2003

Flor de Lótus,um símbolo sagrado

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Mais que uma planta, um símbolo sagrado

Lótus, planta aquática da família das ninfeáceas. É conhecida também por lótus-egípcio, lótus-sagrado ou lótus-da-índia e é nativa do sudeste da Ásia, mormente Japão, Filipinas e Índia. Possui flores brancas e em geral é cultivada com fins de ornamentação. A espécie foi empregada pelos antigos na fabricação de pão e uma espécie de bebida. Segundo estudiosos, servia como alimento ao povo da Líbia. De acordo com algumas lendas gregas seu suco teria a propriedade de gerar nos estrangeiros a vontade de permanecer na terra e não regressar. Na África setentrional existia um povo que se alimentava desta planta. É identificada em nossa cultura brasileira como vitória-régia (também da família das Ninfáceas) nativa das regiões amazonenses. Algumas espécies florescem na região do Mato Grosso e nas Guianas.

A planta cobre as planícies alagadas do oriente do Egito à China e é uma paixão asiática cultivada desde tempos remotos. É venerada em todo o mundo por milhões de pessoas que a consideram o símbolo máximo da pureza espiritual. Chegou ao ocidente no século IV antes de Cristo. Presenteados pelos egípcios, foram os gregos os primeiros a conhecê-la. A flor espalhou-se pelo restante da Europa, onde foi apreciada por sua beleza, particularmente pelos pintores. A história conta que certos povos da América Central já a conheciam. Sacerdotes do México, por exemplo, embriagavam-se com o efeito alucinógeno produzido por um extrato da planta pouco antes dos primeiros espanhóis pisarem na América. No Brasil, o lótus foi trazido pelos japoneses no século de XX.

Mas a fama da flor de lótus transcende o âmbito espiritual e seu fascínio atinge também os estudiosos da botânica. Há muito tempo que estes especialistas tentam desvendar alguns enigmas que a planta segreda. Pesquisadores da universidade de Adelaide na Austrália, por exemplo, estudam uma estranha característica da flor: assim como os seres humanos, ela é capaz de manter sua temperatura em torno de 35 graus. Esse sistema de auto-regulação de calor, compreensível em organismos complexos, como ocorre com os mamíferos, continua inexplicável para a ciência.

Ainda outros cientistas do instituto botânico da universidade de Bonn, na Alemanha, estudam outra curiosidade do lótus: suas folhas são auto-limpantes, isto é, têm a propriedade de repelir microrganismos e poeiras. Devido a isto consideram-na potencialmente útil para ser aplicada na limpeza doméstica e afins.

Entretanto, apesar de sua unânime beleza, sua utilidade polivalente – especialmente na esfera medicinal, das curiosidades que suscita, e das lendas que inspirou, indubitavelmente sua representatividade destaca-se no plano metafísico.


O mantra do lótus

É isso mesmo, o lótus possui um cântico sagrado!

Imagine a cena: a fumaça do incenso envolve como nuvem os monges budistas do templo Doi Suthep, construído no século XIV nos arredores da cidade de Ching Mai, no norte da Tailândia. Como é corriqueiro, ao amanhecer eles estão lavando as mãos nos botões rosados da flor de lótus espalhando um perfume suave no ar. Com a voz grave ritualmente os monges começam a murmurar o mani padami, um dos principais mantras do budismo – originário do antigo idioma sânscrito. A frase exaustivamente repetida significa: “Ó jóia preciosa do lótus”. Terminado o ritual eles depositam uma quantidade tão grande de lótus sobre os pés de Buda que quase soterram a imagem sagrada.

Esse cenário religioso permeia milhões de pessoas de vários países asiáticos que igualmente crêem que o mantra do lótus tem a capacidade de transformar as pessoas em seres puros e iluminados, como o próprio Buda. As palavras sagradas deste canto estão gravadas nas bandeiras, nos sinos que alertam para as cerimônias, em artigos como anéis e pulseiras, nos enormes moinhos de orações que são girados nos templos pelos toques das mãos dos fiéis etc. Destarte, o “aroma” do lótus impregna o Tibete, Tailândia, Índia, Butão, Indonèsia, China e é raro encontrar um país da Ásia onde o lótus não seja considerado sagrado.


O lótus no budismo

Nas pinturas tibetanas linhagens de budas e homens santos aparecem flutuando sobre flores de lótus – uma representação dos tronos da suprema espiritualidade. Nas escrituras budistas, no Tibete, conta-se que milagrosamente o pequeno Buda já podia andar ao nascer e que a cada passo que a criança “iluminada” dava, brotavam-lhe flores de lótus de suas pegadas – uma das assinaturas de sua origem divina. Hoje muitos monges e fiéis dessa religião visualizam esta mesma cena enquanto caminham, imaginando que flores de lótus surgem debaixo de seus pés. Com esta prática acreditam estarem espalhando o amor e a compaixão de Buda simbolizados pela flor.

O Budismo afirma que Sidarta Gautama (nome histórico de Buda), possui olhos de lótus, pés de lótus e coxas de lótus. O Guru que introduziu o budismo no Tibete é denominado Padmasambhava, que significa aquele que nasceu do lótus.

O lótus no hinduísmo

Na Índia a planta está relacionada com a criação do mundo. De acordo com as escrituras indianas foi do umbigo de Deus Vishnu que teria nascido uma brilhante flor de lótus e desta teria surgido outra divindade, isto é, Brahma, o criador do cosmo.

Nas gravuras indianas deuses costumam aparecer em pé ou sentado sobre a flor. Isso ocorre com as representações do deus elefante, Ganexa de Lakshmi – a deusa da prosperidade e de Seiva – o destruidor. Também existe a crença de que o conhecimento espiritual supremo é comparado ao florescimento de uma flor de lótus na cabeça.

O lótus também é essencial para a prática da ioga. Assim como não se pode conceber hinduísmo sem ioga, não se pode conceber ioga sem o lótus. A ioga é prática basilar do compêndio doutrinário hindu e “representa o caminho seguido para se perceber o Deus interior”. Desenvolve-se por meio de práticas avançadas de meditação que requerem a observância de uma posição específica do corpo, mormente a posição sentada que é denominada “Padmasana” ou “Postura de Lótus” na qual os pés são colocados sobre as coxas do lado oposto. Acreditam que a posição do lótus “propicia” o aumento da consciência interna e induz a calma profunda se o praticante associar à postura a filosofia da ioga adequadamente.

Pegando uma “carona” nas crenças hindus, os esotéricos não deixam de dar a sua contribuição com uma parcela de significados “espiritualistas” à flor. Estes crêem que a flor vista de cima infere uma idéia de interiorização, introspecção e centralização, vista de perfil alude a postura de um iogue sentado com um raio de luz emanando dele.


O lótus na mitologia egípcia

No interior das pirâmides e nos antigos palácios do Egito o lótus também é representado como planta sagrada pertencente ao mundo dos deuses. A exemplo da crença indiana sua flor testemunha a criação do universo. Um dos mais interessantes relatos da mitologia egípcia sobre a origem de nosso planeta conta que num tempo muito distante, quando o universo ainda não existia, um cálice de lótus com as pétalas fechadas flutuava nas trevas, um relato que faz lembrar a declaração bíblica que diz: “E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas” (Gn 1.2, grifo do autor). Entediada com o vazio, a flor pediu ao deus-Sol Rá (uma divindade andrógina, simultaneamente masculina e feminina) que criasse o universo. Tendo criado, a flor agradecida pelo desejo realizado passou a abrigar o deus-Sol em suas pétalas durante a noite de onde ele sai ao amanhecer para iluminar a sua criação.


O lótus e o sexualismo chinês

Já os chineses tinham uma outra interpretação um tanto quanto exótica. Associavam a flor ao órgão genital feminino.

Segundo informam os pesquisadores franceses Jean Chevalier e Alain Cherbrant no livro dicionário de símbolos, na China antiga não havia elogio melhor para uma cortesã do que ser chamada de “lótus de ouro”. Explica-se assim porque entre os chineses a planta é associada ao nascimento e a criação. Mesmo assim o lótus não deixa de contribuir religiosamente para a tradição religiosa daquele país. A deusa do amor e da compaixão Kuan Yin – a mais venerada entre as divindades chinesas femininas, é representada com flores de lótus ainda fechadas nas mãos e nos pés. Como o botão da flor tem o formato de coração, os fiéis acreditam que a planta teria o dom de aflorar os sentimentos amorosos. Os chineses acrescentam ainda outras qualidades preciosas à lótus. Segundo eles, a haste dura simboliza a firmeza, a opulência de sementes estaria relacionada a fertilidade e prosperidade, as folhas – como nascem juntas – indicariam felicidade conjugal. O passado, presente e o futuro também estão simbolizados respectivamente pela flor seca, pela aberta e pela semente que irá germinar.

Além de tudo, segundo a medicina chinesa, a planta é consumida principalmente como chá por possuir qualidades terapêuticas que vão desde a cura de doenças renais e pulmonares até o combate do estresse e insônia.


Práticas antibíblicas que envolvem o lótus

Como ficou demonstrado nesta matéria, para alguns a flor de lótus é muito mais que uma simples planta, é um símbolo sagrado. É freqüentemente associada às divindades orientais e conseqüentemente é do mesmo modo reverenciada como sendo inerente ao “divino”. Entretanto, obviamente, os cristãos não devem nutrir qualquer espécie de repulsa pela flor, mesmo porque isso seria ilógico diante do relativismo de significados nela contidos. Apenas temos de enquadrá-la na sua verdadeira posição. Ao contrário da crença hindu e egípcia a única parte cabível à lótus na verdadeira criação divina deu-se quando Deus criou toda a flora no terceiro dia da criação, “Então disse Deus: cubra-se a terra de vegetação: plantas [entre elas a lótus] que dêem sementes […] E assim foi” (Gn 1.11). Nada além disso!

Atribuir qualquer espécie de poder espiritual a objetos inanimados é uma forma de animismo. O lótus não tem o poder de “transformar as pessoas em seres puros e iluminados” e suas associações com as “pegadas do pequeno Buda”, o umbigo de Vishnu e outros absurdos não passam de folclore religioso.

A ioga e o mantra também são claramente condenados pela Bíblia. Se o Senhor censurou a utilização de palavras vazias e repetitivas nas orações que supostamente eram dirigidas a ele (Mt 6.7), o que dizer quando tais cânticos são oferecidos a uma planta: “Ó jóia preciosa do lótus”?!

Quanto aos praticantes da ioga, estão se colocando cada vez mais sob a influência de Satanás. Na Índia, um iogue é tido como um mahsiddha, ou seja, um bruxo e a prática da ioga desde a antiguidade está relacionada a poderes ocultos e mágicos. É impossível conceber a recepção das “forças do universo” por meio de meditação e exercícios físicos. A Bíblia nos admoesta acerca da saudável meditação: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (maiores informações sobre ioga, consultar Defesa da Fé nº37 – Ioga: ginástica, terapia ou religião).

Como vemos, infelizmente a maior parte da proeminência do lótus está relacionada a práticas antibíblicas. Embora para muitos o lótus seja um símbolo sagrado, na realidade, em sua essência, não é mais que uma simples planta!


Curiosidades sobre a planta

Origem: Sudeste da Ásia

Família: Ninfeáceas

Porte: Sua haste pode alcançar mais de um metro acima do nível da água.

Período de floração: primavera e início do verão

Flores: Produz flores brancas, cor-de-rosa ou brancas com as bordas rosadas.

Multiplicação: por meio de sementes ou divisão de rizomas

Luminosidade: sol pleno

Esoterismo:: Os povos orientais têm esta flor como símbolo da espiritualidade, pois acreditam que ela desabrocha aqui na Terra somente depois de ter nascido no mundo espiritual. O lótus também representaria a pureza, pois emerge limpa e imaculada do meio de águas turvas e lodosas.

Cultivo: Pode ser cultivada em vasos imersos, tanques de jardim, lagos ou lagoas. Seu cultivo em vaso necessita de 2 partes de terra argilosa, 1 parte de esterco bovino bem curtido ou composto orgânico. Por ser uma planta aquática dispensa regas.

FONTE: Revista Defesa da Fé; http://www.icp.com.br